quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Desabafo

Deixem-me contar-vos uma história... a minha história. Eu não nasci num berço de ouro... o que é pena, pois se o mesmo ainda estivesse em minha posse, poderia fazer algum dinheiro  ao vendê-lo no OLX. O ouro não desvalorizou... aliás, provavelmente foi a única coisa que não desvalorizou nos últimos tempos, já que os valores humanos e sociais, esses sim, vão perdendo valor a cada dia que passa.
Sou de um país - e de uma terra - onde as oportunidades pertencem aos outros, aos que têm amigos bem colocados, em cargos estratégicos. Aos que alimentam estômagos e egos de "poderosos", num acto de bajulação que chega a meter dó e nojo. Geralmente são reconhecidas em mim muitas capacidades, sobretudo numa óptica de aproveitamento pessoal, em que muitas vezes embarco, pois gosto de ajudar pessoas...
"Tens um enorme potencial", foi provavelmente a palavra que mais ouvi durante a minha vida. Os anos passam, e continuo a olhar este conceito de sociedade, de modo estranho. Isto porque sempre que me distancio e observo este circo de invejas e vaidades, não percebo bem onde e como me colocar, e provavelmente será essa a minha maior falha, o meu maior defeito.

sábado, 21 de julho de 2012

Uma vida, uma chance, uma possibilidade

Uma coisa que sempre me intrigou/intriga, é o facto da honestidade e da sinceridade terem resultados diferentes na teoria e na prática. No fundo, a rectidão da tua tábua de valores, e o modo correcto como encaras as pessoas e a vida, podem ser vistos pelos demais como uma capa de quem tem algo a esconder... porque de facto, todos esperam que hajas como um cabrão desalmado, que utiliza as pessoas e as situações em proveito próprio, de modo a saciar o seu ego, e demais necessidades pessoais.
Desde novo me foi incutido que agisse correctamente com as pessoas, não brincando com os seus sentimentos. Não vou dizer que nunca o fiz. Fiz com certeza... Uma vez li que as atitudes correctas se ganham com a experiência, e que a experiência se ganha com atitudes erradas. 
Tal como o fiz com outros, outros o fizeram comigo... e o sabor a fel da desilusão que nos fica no corpo e na alma, tem tanto de negativo como positivo, pois ensina-nos a olhar para a vida de outro modo.
Hoje em dia peso muito mais as consequências dos meus actos, que há uns tempos atrás... E isto é uma das coisas fantásticas que a idade e a experiência de vida nos proporcionam... primeiro erramos, depois aprendemos, depois fazemos correctamente. São os passos básicos de atingir o saber desconhecido. É assim que funciona com tudo, excepto com passar camisas a ferro... bem, talvez nunca tenha tido mesmo a necessidade de o aprender a fazer correctamente.

Outra coisa que aprendi, é que faças algo bem, provavelmente alguns te irão criticar por isso... faças algo mal, certamente muitos te irão criticar por  isso...
Com a impossibilidade de agradar a toda a gente, o mais simples e lógico, é agradares a tua consciência. Porque no fundo, se estiveres bem contigo mesmo, as pessoas que gostam de ti, vão ficar do teu lado, e as pessoas que não gostam... bem, essas que se f... odam!

Tens uma vida, uma chance, e uma possibilidade de ser feliz... aproveita-a ;)

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Condicionantes do meio

A partir da minha fase adulta - e considero isso os 18 anos - sempre vivi em cidades. Cidades onde conhecia pouca gente, e pouca gente me conhecia. Isso permitia-me gozar de uma certa liberdade, ir a sítios sem ser notado, e esquecer um pouco a lei da "acção-reacção". Se metesse o pé na argola, dificilmente essa notícia se espalharia. Se me apetecesse estar sozinho, poderia sem problema passear em ruas superpovoadas, sem que alguém me proferisse uma palavra que fosse.
É verdade que nos meios pequenos toda - ou praticamente toda - a gente se conhece, e com isso as nossas acções, a forma como vivemos, a forma como agimos pode ser condicionada.
Se um dia decides que vais abraçar o nudismo, e por acaso sais de casa como "vieste ao mundo", muito provavelmente condenaste a tua existência futura e a forma como as pessoas te encaram e te vão encarar a partir daí. É necessário pensar duas vezes antes de fazer as coisas (o que nem sempre é mau!).

O problema reside quando deixas que estes factores condicionem a tua existência. Viver em função do que os outros possam pensar, ou possam dizer... abdicar de fazer algo que queremos fazer, de ir a sítios que queremos ir, de estar com pessoas com que queremos estar... é talvez o maior erro que se pode cometer durante a nossa estadia na terra.
A não ser que a política seja a tua praia, e dependas da opinião generalizada para vingar no meio, o meu conselho basicamente é: VIVE EM FUNÇÃO DAQUILO QUE TE FAZ FELIZ, E NÃO DAQUILO QUE FAZ OS OUTROS FELIZES!!!
E agora vou vestir alguma coisinha, porque senão ainda me constipo...


Beijos e abraços


terça-feira, 19 de junho de 2012

Abençoada estupidez

Por vezes quando observava alguns cães a correr atrás do próprio rabo - como quem acredita piamente que a felicidade está ali um palmo à frente do nariz - sorria da estupidez de tal acto.
Contudo já dei por mim a fazer o mesmo. Não literalmente, mas metaforicamente.
O objectivo de todos nós - independentemente do que possam dizer - é atingir esse estado de espírito. E na nossa subjectividade e individualidade escolhemos os caminhos para tal.
Há quem a procure num carro topo de gama, numa plasma do tamanho da Torre Eifel, numas férias de luxo numa ilha paradisíaca, em festas, em viagens, nuns sapatos, numa mala, em prazer sexual, em relações amorosas, em realização profissional, em realização desportiva, drogas, álcool... sei lá... São inúmeras as hipóteses, tal como são inúmeras as diferenças entre os seres humanos, e o que os motiva.
Mas voltando ao cerne da questão... também eu por vezes já dei por mim a procurar a felicidade no sítio errado, tentando alcançar algo inatingível, e que sinceramente teima/teimava em escapar sempre que chegava perto.
É nessa altura que deverá vir ao de cima o bom senso, e essa capacidade tão humana do raciocínio lógico de que somos dotados (alguns mais do que outros, é certo e sabido). Apesar da dificuldade que é fazer isso, convém saber distinguir o que está ao nosso alcance, daquilo a que não poderemos chegar... e evitar esse estúpido e completo desperdício de tempo, que é correr atrás do próprio rabo...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Hipocrisia, karma, lixo e cocó

Há vários tipos de pessoas no mundo.
Contudo e devido à complexidade humana, seria difícil catalogá-las tal como espécies de animais e plantas. Isto acontece sobretudo porque a pessoa humana, é dotada da capacidade de hipocrisia.
   
hipocrisia 
   (grego hupokrisía, -as, desempenho de um papel) 

  s. f.

   1. Fingimento de bondade de ideias ou de opiniões apreciáveis.
      2. Devoção fingida.


Eu tenho um lema de vida. Quando conheço uma pessoa nova, coloco-a directamente num patamar alto. Isto acontece porque acredito - talvez porque passei a minha infância a ver e ler séries de super heróis - que todas as pessoas são boas e justas.
Em detrimento das suas acções, quer sejam positivas, quer sejam negativas... as pessoas - e respectivamente -ou se mantém nesse patamar, ou vão descendo na minha consideração, até ao nível - e aqui sou tão técnico como as agências de rating - lixo.
Já me deparei com muito lixo na vida... infelizmente ou não, vou aprendendo com isso. Há lixo reciclável e depois há aquele orgânico, que eu designo simplesmente de cocó. O máximo que me pode acontecer neste ponto é pisá-lo por distracção.
Isto tudo para dizer o quê?
Que as pessoas confundem bondade com ingenuidade. Que damos uma mão, e querem logo um braço, uma perna, e um rim!
Felizmente eu acredito no Karma, que o mundo é um espelho, e na lei da acção-reacção (http://pt.wikipedia.org/wiki/Carma). E que portanto praticando o BEM, teremos sempre uma possibilidade de receber BEM... já praticando o MAL, essa possibilidade é anulada à partida.

"Não há almofada mais fofa do que uma consciência tranquila".
Sejam felizes

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Regresso (c/ novidades)

Prezados leitores,
Porventura todos vocês - amigos, conhecidos, pessoas com muito tempo livre, e/ou que gostam de desperdiçar tempo a ler as crónicas satírico-qualquercoisa que deposito aqui no blog - se devem estar a perguntar o porquê da indiferença com que vos tenho tratado nos últimos meses...
Fui informado de que a taxa de depressões disparou nos últimos tempos, e consequentemente um aumento extraordinário de casos de tristeza aguda  (ok, pode ser por causa da tal "crise", mas deixem-me sonhar).
Antes de mais - e qual marido arrependido após um caso de infidelidade com a empregada de balcão do café do bairro - quero salientar que continuo a gostar de todos vocês como no primeiro dia que as nossas vidas se cruzaram num endereço de uma página web, num qualquer monitor de computador. Contudo, e devido a problemas do foro pessoal, a minha disponibilidade/disposição para a galhofa lírica esteve um pouco desvanecida, como que encoberta por uma nuvem gigante, ou tivesse ido de férias até Miami, tivesse perdido tudo no jogo, e não conseguisse voltar a casa...
A verdade é que - depois de dormir na rua, ter sido obrigada a prostitui-se, ter furtado um veículo automóvel de um magnata do petróleo vestido com roupas do Elvis Presley, e entrado ás escondidas num avião, camuflada numa mala de viagem - ela por fim voltou. E voltou em força... Brevemente as crónicas deste blog, vão passar para formato papel limpa vidros, que é como quem diz jornal.
Antes que tal suceda, e que o constante assédio de fans e da imprensa cor-de-rosa, seja impedimento para me dirigir ás pessoas que desde o princípio estiveram sempre comigo, que partilharam as suas opiniões comigo, que me ajudaram neste processo evolutivo de "quase escritor/cronista", para "quase, quase escritor/cronista" o meu muito obrigado.
Fiquem por aí, porque irei partilhar todos os textos que no futuro, saiam desta mente distorcida e com uma visão própria da realidade (uma espécie de Passos Coelho da escrita, mas em bom!).

Beijos e abraços

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

E depois do adeus?

Bem, tudo na vida tem um prazo de validade, e consequentemente chega ao final. É assim com os iogurtes, com o arroz, com os preservativos (verifiquem sempre a validade sff que o látex perde propriedades e rasga mais facilmente!)...

Este será o último mês em que na minha morada constará a palavra Aveiro (pelo menos por agora).
Os 2 anos e 3 meses passados nesta cidade, cuja Ria rasga ao meio, e em que o mar está à distância perfeita de um namoro à moda antiga... foram dois dos melhores anos da minha vida.
As pessoas fantásticas que conheci, as experiências que vivi, não poderiam ser relatadas num livro, muito menos num post, mas resumidamente posso referir que vivi momentos de paixão, euforia, raiva, solidão, felicidade, amizade, frustração... tive frio, tive calor, comi tripas e ovos moles... enfim, vivi na plenitude dos meus sentidos.
A relação que estabeleci com a cidade foi-se desgastando (sobretudo a nível profissional), e a páginas tantas encontrei-me num cruzamento. Optei por mudar de direcção rumo ao desconhecido, porque o que conheço deste lado é incapaz de me completar.

Foi aqui que descobri a bicicleta, apaixonei-me pela corrida, e dei início à minha vida de atleta amador... Foi daqui que fiz travessias, que saí para maratonas de btt, corridas de atletismo e ultimamente duatlos. O interesse por este meio veio crescendo, e com isso compensando o facto de a nível laboral não me sentir realizado. Era o meu ópio, a minha válvula de escape... Contudo, e quando as relações são baseadas em interesses acabam inevitavelmente por sucumbir, como castelos de cartas à primeira rajada de vento.

Mais do que viver, esta etapa da minha vida serviu para aprender (e não falo só em tratar da roupa)... para me conhecer, crescer, saber o que (não) pretendo fazer.
Parto com muita esperança (e com vontade de parar para reflectir) no futuro.
Não sei se encontrarei o que procuro, mas prefiro morrer na procura, do que nem sequer o tentar.

Até já