terça-feira, 1 de março de 2016

Carta ao meu eu de há um ano atrás

Olá,
Ainda não me conheces, mas eu sim... como a palma da minha mão.
Por esta altura acabaste de aterrar num novo país, estás a iniciar uma nova aventura.
Sei que estás a assimilar tudo o que está acontecer, ainda meio confuso, que tens algumas dúvidas e alguns receios... mas fica tranquilo, tudo vai correr bem.
A nível laboral dá o teu máximo, e vais ver que serás reconhecido.
Vais conhecer pessoas fantásticas, e viver momentos incríveis... também vais errar, e até agir impulsivamente. Não faças essa cara, por mais ponderado que sejas há coisas que simplesmente acontecem... não te vou revelar quando nem onde, prefiro que o descubras por ti mesmo. Dizem que somos o resultado da soma das nossas vitórias e fracassos, e olhando para onde estamos agora, tenho-te a dizer que o saldo é bastante positivo.
Prepara-te para sentir saudades da tua família.
Compra umas sapatilhas novas de corrida... vais precisar.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Princípio de prazer (e dor)

Segundo Freud há duas fontes principais de motivação, o prazer e a dor... mais propriamente a busca do prazer, e a fuga da dor.
Quando começamos a praticar exercício intenso, e atingimos os nossos limites, o ponto de superação, aquele limiar que temos de ultrapassar é doloroso... dói de verdade, é um sofrimento que só quem passa sabe o que custa... esse é o motivo porque a maioria desiste (e muitos preferem criticar quem continua, ou demove-los das suas ambições pessoais). O sabor a sangue na boca, a sensação de não conseguir respirar... o coração a bater tão forte que estremece todo o corpo... O que provavelmente Freud se esqueceu de incluir na sua teoria, foram os atletas de resistência, aquelas pessoas que encontram na dor da superação o prazer, aqueles que como eu - e tantos, mas tantos outros - têm um trabalho normal, são bons naquilo que fazem, e depois nas horas livres, dedicam grande parte da sua vida a esforçarem-se por uma ambição pessoal, voluntariamente, sem auferirem monetariamente com isso, abdicando de outras actividades. Apenas e só pelo prazer de se superarem a cada dia.
Porque por muito que aplaudam ou critiquem os meus feitos (os nossos feitos), a única pessoa cuja opinião realmente pesa, é o meu maior aliado, o meu maior adversário, é aquela pessoa que se levanta ás 6 da manhã para ir treinar... com sono, com frio, com mais vontade ou menos vontade. Eu!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Rescaldo de 2015

Rescaldos de final de ano são um exercício que tenho feito a cada troca de calendário, e para que este ano não seja exceção, vou referir o que de melhor e pior me aconteceu no ano de 2015.

Este post tem dois propósitos.
O primeiro é partilhar com as pessoas que se interessam pela minha vida, o que vivi ao longo deste ano. O outro, é no caso de ter problemas de memória, poder vir aqui espreitar, evitando assim o que se passava no filme "Memento", em que o protagonista tatuava tudo o que lhe acontecia para se recordar mais tarde.
No meu caso, tenho apenas tatuado o endereço do blog na nádega direita...

Antes do post em si, quero ainda referir que caso encontre uma maquina do tempo e possa voltar atrás para falar com o meu eu do passado, alguns fatos poderão ser alterados, não garantindo portanto ao leitor, que a informação que está a ler neste momento seja a actual (e não de um universo paralelo)...

Gostaria de dizer que este ano foi perfeito, mas infelizmente perdi alguns amigos e conhecidos no avançar das estações, o que foi duro.
Raramente penso na morte, mas quando ela começa a levar as pecas do tabuleiro a que chamamos vida, as coisas mudam um pouco...

Falemos de coisas boas.
Decidi abraçar um desafio fora de Portugal (novamente), e rumei à Holanda. Para alem das condições de trabalho e da organização empresarial, o fato de ser a meca do ciclismo urbano torna os meus dias mais agradáveis. Comecei a fazer tudo de bicicleta. Algumas coisas ainda não tentei, mas estou na disposição de.
Juntando a isso, fiz uma colecção de novos amigos, que me fazem sentir em casa. Amigos que aturam este modo peculiar que tenho, e insistem em querer estar comigo.

Viajei menos do que queria.
Fui a todas as grandes cidades da Holanda de bicicleta. Quase sempre pasteleira.
Fiz a minha primeira maratona de estrada.
Melhorei o meu Inglês, e sei dizer bom dia e obrigado em Holandês...
Progredi como pessoa e ser humano.
Melhorei como profissional.
Sinto-me melhor, mais forte, mais seguro do que no final do ano interior.

Continuo a ter o quarto (quase) sempre desarrumado.
Ainda não sou perfeito (mas continuo a limar arestas).
Aprendi algumas lições importantes.
Aprendi algumas lições com menos importância.
Fiz o melhor que pude em tudo.
Fiz algumas coisas bem.
Fiz algumas coisas menos bem.
Fiz algumas coisas extraordinariamente bem!

Para 2016 não peço muito mais.
Só quero continuar a ter saúde, e a capacidade de olhar para a minha bússola interior - e com maior ou menor dificuldade, maior ou menor êxito - continuar a encontrar o meu caminho...

E saúde, e dinheiro, e coisas boas...

Bom ano :)






terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O que queremos afinal do amor em idade adulta

Caras pessoas,
Após anos no terreno, creio ter reunido informação que certamente muitos de vocês também procuram, e que estou disposto a partilhar gratuitamente, elevando este blog ao estatuto de serviço publico!

O que irei apresentar de seguida centra-se sobretudo na óptica masculina. visto que a minha experiência no mundo feminino se resume a um Carnaval, em que praticamente fui forçado... mas não deixa de ser útil independentemente do género.

Falemos de Amor.

Tirando todo o processo de geração (que de fato é bastante agradável), o nosso primeiro contato com o amor começa após abandonarmos o conforto do ventre da nossa progenitora, e um senhor de mascara e touca nos aviar uma valente palmada no rabo. Nesse momento abrimos os olhos para o mundo, damos meia dúzia de berros, somos semi-limpos, e vamos ser depositados nos braços daquela pessoa que a partir desse momento será a nossa maior fonte de amor, a nossa mãe (isto em condições normais).

Dai para a frente, o nosso pai, irmãos, familiares próximos, e alguma prima em segundo grau também podem ajudar... ou então nem por isso.

Passamos a infância - onde descobrimos que dos peitos femininos pode advir bastante felicidade... ideia que nos acompanhará até ao final dos nossos dias - e chegamos à fase da puberdade.
Nesta altura da vida, os nosso sentidos dizem-nos que amor é quando o nosso pilau fica irrequieto ao pé de uma menina (ou menino) (ou ambos) (não critico, não julgo, cada um faz o que quer!), e será assim durante uns anos (largos), Muitas vezes vamos confundir o fato de sentirmos as calcas a apertar na genitália com amor. Os mais novos não se preocupem... habituem-se, não façam dramas, vão ter de conviver com isso.

Crescemos, assentamos, começamos a passar pelo que gosto de designar por "Evolução Pedro Abrunhosa", que basicamente consiste em transitar da fase do "Talvez F****", para a fase do "Toma conta de mim".
Apesar do nosso pilau nos continuar a pregar partidas, já estarmos habituados, e não o contrariamos muito... começamos a querer algo mais.
Chegamos então ao ponto onde me quero focar neste post.

O que é que queremos afinal do amor numa fase adulta?

O que nós queremos mesmo, é simplesmente sentir nos olhos da pessoa que partilha a vida connosco, que somos especiais, que valemos a pena, que somos melhores que todos os outros no mundo, que os nossos esforços são recompensados, que curvados, com óculos grossos vestindo a roupa de Clark Kent, ou de peito erguido alto com as cuecas por fora das calças como o Superman, ela olhe para nós como um super-herói.

O que somos na realidade?

Basicamente nada de especial.
Somos regulares como os outros.
Não somos melhores, nem somos piores.
Não temos super-puderes.
Temos virtudes, temos defeitos, temos 5 bicicletas... temos mais roupa e sapatilhas de desporto do que fatos e sapatos de trabalho... temos o habito de nos isolarmos do mundo, não lavamos sempre a louça que sujamos, e o nosso quarto por vezes parece que foi assaltado enquanto estávamos fora de casa...
Mas queremos fazer com que elas se sintam felizes, e sermos felizes com elas.
Mesmo quando reclamam por tudo e por nada.
Mesmo quando têm variações de humor.
Mesmo com as dores de cabeça que elas nos provocam... porque nos tiram do serio, nos fazem olhar para rabos alheios, ate mesmo ter flirts, mas ficar por ai... porque sabemos que ao regressar para casa, teremos novamente aquele olhar, que simplesmente nos faz sentir especiais...

Mas apenas e só, quando esse olhar existe.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Natal Disfuncional

Lembro-me dos Natais da minha infância. Quando falo de infância refiro-me aquela altura em que habitava um corpo de criança. Isto porque tal como o Peter Pan, recuso-me a crescer (e só não ando de collants verdes, porque experimentei uma vez e fazem-me o rabo gordo).

Via o Natal como a altura em que recebia brinquedos e comia doces, o que na minha visão de criança gulosa, era algo como atingir o Nirvana para os Budistas, ou o Paraíso para os católicos, mas - e isto para os últimos - sem a parte chata de falecer...

Nunca houve muito o conceito de família reunida. Talvez porque nunca houve muito o conceito de família em primeiro lugar...
Recordo-me de uma vez o clã materno se ter reunido em casa do meu avô, e aquilo ter sido bastante animado, e ter terminado com insultos e porrada. Parecia um espectáculo da WWE....
Do lado paterno não era melhor. O meu pai tinha divergências com o meu avô e não falavam, o meu tio tinha divergências com o meu pai e também não falavam, e mais tarde - para não quebrar a tradição - também eu tive divergências com o meu pai, e deixamos de falar...

Houve uma altura em que a nossa consoada era feita a quatro. A minha mãe atrasava-se sempre devido a enorme carga de trabalho que tinha nessa época, a minha irmã andava de um lado para o outro no salão também, o meu pai tinha certas reticências em aproximar-se da cozinha, e eu era muito novo para cozinhar (ainda hoje sinto isso, mas por questões de sobrevivência já enfrento as panelas como um guerreiro espartano! Muitas vezes de cuecas como o Leónidas no filme 300! E sim com os mesmos abdominais, embora mais ocultos...).
Basicamente comíamos bacalhau cozido com batatas e couves (o que me fazia confusão, pois não considerava aquela refeição digna da celebração do nascimento do filho de Deus), e depois ingeríamos uma quantidade enorme de açúcar, farinha, chocolates e fritos... como se aquela fosse a primeira e ultima vez que comeríamos doces na vida!

A meia-noite trocávamos presentes, o meu pai ia para o café ter com os amigos, e pronto voltávamos a ser uma família disfuncional embora com mais brinquedos, e um nível de glicemia mais alto no sangue.

Entretanto as coisas mudaram, os anos passaram, o meu pai partiu, a minha irmã casou... e apareceu uma criança muito fofa na nossa vida, que por acaso é meu sobrinho. 
Recordo os últimos natais como os melhores. A nossa família juntou-se à família do meu cunhado. Senti que a minha mãe estava em paz, que a minha irmã estava feliz, o meu afilhado estava em êxtase, e que todos estávamos bem... E já gosto de bacalhau cozido... 

Este ano estou ainda mais ansioso por esta celebração. Desde Agosto que não estamos juntos, e há qualquer coisa nesta época que amplia a nostalgia, o amor familiar, a vontade de estar com os nossos... de os abraçar, de ver os seus sorrisos (de tirar umas selfies e as publicar no facebook).
Hoje sinto apenas que o único aspecto disfuncional da nossa relação familiar, e que não podemos estar juntos sempre que queremos.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Querido Pai Natal

Querido Pai Natal,
Como vai isso?

Não sei se ainda te lembras de mim... Era aquele miúdo gordito, que escrevia textos em poema com rimas rudimentares... Não sei se ajuda.
Peço desculpa por não te escrever há uns anos, mas tinha menos de uma década de idade quando me fizeram acreditar que eras uma fraude, e desde esse dia, senti que seria um ato parvo enviar correspondência para ti.
Actualmente a minha noção de parvoíce é diferente, e senti saudades de te escrever.
É verdade que nunca respondeste às minhas cartas antes (mas isso nem as meninas que andavam comigo na escola na altura, e nem por isso não eram reais), mas tendo em conta os e-mails com resposta pendente que tenho na caixa de entrada, compreendo-te perfeitamente.
Não te venho pedir brinquedos como antigamente, nem paz no mundo como as concorrentes dos concursos de beleza... Apetece-me apenas escrever para ti. Como nos bons velhos tempos.
Dizem que são coisas da idade... é verdade, já estou quase a passar os 30, acreditas?
Como o tempo passa depressa, e as coisas mudam. Olha, hoje em dia prefiro brincar com barbies a brincar com legos...
Estou a viver em Amesterdão neste momento, mas tenho sido um "menino" bem comportado... Sinceramente até já tentei não o ser, mas nunca fui bem sucedido. Creio que é necessário ter certas característica das quais não fui dotado. Esse foi um dos motivos porque decidi abandonar o meu país... não conheço a realidade da Lapónia, mas aquilo em Portugal funciona à base de "cunhas" e "padrinhos". Não sei se percebes calão português... É verdade, falas português ou tens um tradutor que te lê as cartas?
Bem, estou contente com a decisão apesar de sentir saudades da família, das montanhas e dos amigos. Até os piores pratos da minha mãe (ela não é das melhores cozinheiras, mas isso fica entre nós), sabem melhor que os melhores pratos dos restaurantes do mundo. Sinto saudades de ser bajulado, de ser elevado ao título de semideus que só o sorriso dela me consegue fazer sentir. Sinto falta das piadas da minha irmã, e do meu sobrinho. Quando sai de Portugal ele ainda só emitia sons, e agora já diz frases!
Estou quase a ir visita-los se tudo correr bem... Por falar em viagens, andar de trenó aquela velocidade não é muito frio?
Fala-me um pouco de ti... como é que consegues ter sempre a barba imaculadamente branca? Perdes muito tempo com isso? Eu já tentei deixar crescer a barba (estás in neste momento), mas dá muito trabalho, e os meus pelos faciais têm personalidade própria, e nascem onde e a apontar para onde querem...

Neste momento não tenho muito mais para dizer, a não ser que não tentes entrar pela chaminé lá de casa, que nós deixamos a lareira acesa, e ainda acontece um acidente.
Bom Natal, que tenhas sucesso na distribuição de prendas este ano, e que faças muitas crianças felizes, como em tempos me fizeste a mim.

Do teu amigo,
Daniel

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Lusco fusco

Já há muito tempo decidi que não voltaria ao banco de suplentes, e que se essa condição porventura sucedesse, faria de tudo para sair de lá o mais rapidamente possível, Não lhe vejo o conforto... para mim é igual a uma cela solitária numa prisão de alta segurança. Daquelas que víamos nos filmes de ação, entre cenas nas quais o herói conhecia uma bela moça - e que esta apesar do cadastro deste - se apaixonava romântica e incondicionalmente por ele, entregando-lhe o coração (e muito, muito mais) na hora.

Não me contento em ser segunda escolha de nada, nem de ninguém.
Tive tempo suficiente ao longo da vida para observar cães a perseguir - sem sucesso - o próprio rabo em busca da felicidade, e a perceber que - embora metaforicamente - nós humanos fazemos muitas vezes o mesmo. Se é para encontrar a felicidade num rabo, que seja num rabo alheio (esta era piada fácil, fácil!).
Posso suar arrogante, mas não sou pedante... apenas valorizo o que sou, e quem sou. porque tenho noção do meu valor, e dos meus valores.
Não tenho tempo para desprezo, para insistir em procurar agulhas no palheiro... eu nem sequer tenho tempo para fazer a cama todos os dias!!! quanto mais para esperar a aceitação de quem não me compreende, ou não vê em mim, aquilo que eu gostaria que fosse visto.

A idade tem coisas boas para além do desconto na Multiópticas. Traz-nos alguma sabedoria e lugares sentados no autocarro... aumenta o nosso conhecimento da vida, e ensina-nos a jogar na antecipação. Isso é útil para nos protegermos de eventuais feridas. Dessas que por vezes são profundas, demoram a sarar, e deixam marcas para sempre.
Na descolagem do avião, há uma altura que é designada "Ponto sem retorno", que é o momento em que é atingida determinada velocidade - e quer hajam problemas ou não - o aparelho tem de levantar.
O segredo é ir acelerando devagarinho, tendo o máximo de atenção ao que se passa. Porque - e voltando aos filmes de ação - nem sempre há um paraquedas à nossa espera guardado num determinado compartimento perfeitamente acessível, preparado para uma emergência...

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Muito Obrigado

Quando era criança, não achava que a minha data de aniversário fosse a ideal.
Distava pouco do Natal e da festa de passagem de ano, e os meus presentes ou eram o "acumulado" das celebrações, ou apenas lembranças... No meu entender, a melhor altura para nascer seria em meados de Julho ou Agosto, pois os presentes poderiam ser maiores e melhores.
Entretanto cresci, e percebi que os verdadeiros presentes - os que realmente importam - não se podem comprar em lojas. Os verdadeiros presentes que recebo a cada aniversário, são perceber que ao meu lado estão pessoas que me amam incondicionalmente, que tudo está bem com a minha família, que tenho alguns amigos, e saúde para soprar velas!!!

Obrigado a todas as pessoas que perderam um bocadinho do seu tempo para me darem os parabéns. É um gesto simples, mas sabe bem. Cada comentário fez cócegas na minha alma, e desenhou um sorriso no meu rosto :)

Agora é aproveitar este ano da minha vida ao máximo, como tento sempre fazer. Com tranquilidade, desafios e muita aprendizagem.

Beijos e abraços


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Venha 2014

Se pudesse descrever o ano de 2013 numa frase seria:

"O melhor ano da minha vida!"

Isto talvez ocorra porque não sou uma pessoa de criar grandes expectativas, esperar demasiado, fazer muitos planos... Limito-me sobretudo a viver os dias, com um ou outro objectivo no horizonte, mas sem ser demasiado obcecado por isso.
Neste ano consegui finalmente passar um dos meus sonhos para a realidade. Peguei na bicicleta e sozinho atravessei - o que foi possível em 20 dias - Portugal. Foi uma vivência fantástica, que superou em muito os filmes de aventuras que vi em criança... os tais com que sonhava (com a nuance de ser eu a personagem principal).
Voltei a trabalhar a full-time em  informática, e as coisas até correm bem. Asseguro a minha subsistência financeira com o suor do meu trabalho.
Mudei novamente de cidade, e gosto muito do meu novo habitat... pelo menos por agora :)
Apaixonei-me e desiludi-me, fiz planos e rompi com eles... Um dia alguém me disse para fechar o livro enquanto era tempo, pois cada vez será mais difícil... Isto porque um dia dás conta do quanto amas a liberdade, e o quão difícil será viver essa "bigamia" de uma forma tranquila...
Passei mais tempo com a minha família, e essa foi uma das resoluções cumpridas para este ano!
Fiz novos amigos e passei mais tempo com os que já tinha. É verdade que na maioria das vezes em contexto desportivo, mas já percebi que é aí que me sinto bem. Prefiro beber de um bidão de plástico e conversar (ofegante) enquanto pedalo, do que de um copo de vidro, encostado ao balcão de uma discoteca ou de um bar... prefiro a companhia da luz do sol, à luz artificial...
Nasceu o meu sobrinho/afilhado, que tem a capacidade de esticar as extremidades da minha boca e de me fazer sorrir, mesmo sem me tocar. Que de facto me veio mostrar que o tempo passa de verdade, e que não convém desperdiçar... e que me ensinou a mudar fraldas :)

A mudança do ano é apenas algo simbólico - até porque a divisão do tempo foi inventada pelo homem - mas é sempre uma altura de reflexão, e uma oportunidade para recomeçar melhor, ser melhor.

Não vou pedir mais para 2014 do que saúde e energia para encarar desafios, porque infelizmente o ano de 2013 também ficou marcado pela partida de amigos cuja saúde as abandonou.

Obrigado às pessoas que fizeram parte do meu ano, e que deram vida à minha vida.

Beijos e abraços

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Desabafo

Deixem-me contar-vos uma história... a minha história. Eu não nasci num berço de ouro... o que é pena, pois se o mesmo ainda estivesse em minha posse, poderia fazer algum dinheiro  ao vendê-lo no OLX. O ouro não desvalorizou... aliás, provavelmente foi a única coisa que não desvalorizou nos últimos tempos, já que os valores humanos e sociais, esses sim, vão perdendo valor a cada dia que passa.
Sou de um país - e de uma terra - onde as oportunidades pertencem aos outros, aos que têm amigos bem colocados, em cargos estratégicos. Aos que alimentam estômagos e egos de "poderosos", num acto de bajulação que chega a meter dó e nojo. Geralmente são reconhecidas em mim muitas capacidades, sobretudo numa óptica de aproveitamento pessoal, em que muitas vezes embarco, pois gosto de ajudar pessoas...
"Tens um enorme potencial", foi provavelmente a palavra que mais ouvi durante a minha vida. Os anos passam, e continuo a olhar este conceito de sociedade, de modo estranho. Isto porque sempre que me distancio e observo este circo de invejas e vaidades, não percebo bem onde e como me colocar, e provavelmente será essa a minha maior falha, o meu maior defeito.

sábado, 21 de julho de 2012

Uma vida, uma chance, uma possibilidade

Uma coisa que sempre me intrigou/intriga, é o facto da honestidade e da sinceridade terem resultados diferentes na teoria e na prática. No fundo, a rectidão da tua tábua de valores, e o modo correcto como encaras as pessoas e a vida, podem ser vistos pelos demais como uma capa de quem tem algo a esconder... porque de facto, todos esperam que hajas como um cabrão desalmado, que utiliza as pessoas e as situações em proveito próprio, de modo a saciar o seu ego, e demais necessidades pessoais.
Desde novo me foi incutido que agisse correctamente com as pessoas, não brincando com os seus sentimentos. Não vou dizer que nunca o fiz. Fiz com certeza... Uma vez li que as atitudes correctas se ganham com a experiência, e que a experiência se ganha com atitudes erradas. 
Tal como o fiz com outros, outros o fizeram comigo... e o sabor a fel da desilusão que nos fica no corpo e na alma, tem tanto de negativo como positivo, pois ensina-nos a olhar para a vida de outro modo.
Hoje em dia peso muito mais as consequências dos meus actos, que há uns tempos atrás... E isto é uma das coisas fantásticas que a idade e a experiência de vida nos proporcionam... primeiro erramos, depois aprendemos, depois fazemos correctamente. São os passos básicos de atingir o saber desconhecido. É assim que funciona com tudo, excepto com passar camisas a ferro... bem, talvez nunca tenha tido mesmo a necessidade de o aprender a fazer correctamente.

Outra coisa que aprendi, é que faças algo bem, provavelmente alguns te irão criticar por isso... faças algo mal, certamente muitos te irão criticar por  isso...
Com a impossibilidade de agradar a toda a gente, o mais simples e lógico, é agradares a tua consciência. Porque no fundo, se estiveres bem contigo mesmo, as pessoas que gostam de ti, vão ficar do teu lado, e as pessoas que não gostam... bem, essas que se f... odam!

Tens uma vida, uma chance, e uma possibilidade de ser feliz... aproveita-a ;)

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Condicionantes do meio

A partir da minha fase adulta - e considero isso os 18 anos - sempre vivi em cidades. Cidades onde conhecia pouca gente, e pouca gente me conhecia. Isso permitia-me gozar de uma certa liberdade, ir a sítios sem ser notado, e esquecer um pouco a lei da "acção-reacção". Se metesse o pé na argola, dificilmente essa notícia se espalharia. Se me apetecesse estar sozinho, poderia sem problema passear em ruas superpovoadas, sem que alguém me proferisse uma palavra que fosse.
É verdade que nos meios pequenos toda - ou praticamente toda - a gente se conhece, e com isso as nossas acções, a forma como vivemos, a forma como agimos pode ser condicionada.
Se um dia decides que vais abraçar o nudismo, e por acaso sais de casa como "vieste ao mundo", muito provavelmente condenaste a tua existência futura e a forma como as pessoas te encaram e te vão encarar a partir daí. É necessário pensar duas vezes antes de fazer as coisas (o que nem sempre é mau!).

O problema reside quando deixas que estes factores condicionem a tua existência. Viver em função do que os outros possam pensar, ou possam dizer... abdicar de fazer algo que queremos fazer, de ir a sítios que queremos ir, de estar com pessoas com que queremos estar... é talvez o maior erro que se pode cometer durante a nossa estadia na terra.
A não ser que a política seja a tua praia, e dependas da opinião generalizada para vingar no meio, o meu conselho basicamente é: VIVE EM FUNÇÃO DAQUILO QUE TE FAZ FELIZ, E NÃO DAQUILO QUE FAZ OS OUTROS FELIZES!!!
E agora vou vestir alguma coisinha, porque senão ainda me constipo...


Beijos e abraços


terça-feira, 19 de junho de 2012

Abençoada estupidez

Por vezes quando observava alguns cães a correr atrás do próprio rabo - como quem acredita piamente que a felicidade está ali um palmo à frente do nariz - sorria da estupidez de tal acto.
Contudo já dei por mim a fazer o mesmo. Não literalmente, mas metaforicamente.
O objectivo de todos nós - independentemente do que possam dizer - é atingir esse estado de espírito. E na nossa subjectividade e individualidade escolhemos os caminhos para tal.
Há quem a procure num carro topo de gama, numa plasma do tamanho da Torre Eifel, numas férias de luxo numa ilha paradisíaca, em festas, em viagens, nuns sapatos, numa mala, em prazer sexual, em relações amorosas, em realização profissional, em realização desportiva, drogas, álcool... sei lá... São inúmeras as hipóteses, tal como são inúmeras as diferenças entre os seres humanos, e o que os motiva.
Mas voltando ao cerne da questão... também eu por vezes já dei por mim a procurar a felicidade no sítio errado, tentando alcançar algo inatingível, e que sinceramente teima/teimava em escapar sempre que chegava perto.
É nessa altura que deverá vir ao de cima o bom senso, e essa capacidade tão humana do raciocínio lógico de que somos dotados (alguns mais do que outros, é certo e sabido). Apesar da dificuldade que é fazer isso, convém saber distinguir o que está ao nosso alcance, daquilo a que não poderemos chegar... e evitar esse estúpido e completo desperdício de tempo, que é correr atrás do próprio rabo...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Hipocrisia, karma, lixo e cocó

Há vários tipos de pessoas no mundo.
Contudo e devido à complexidade humana, seria difícil catalogá-las tal como espécies de animais e plantas. Isto acontece sobretudo porque a pessoa humana, é dotada da capacidade de hipocrisia.
   
hipocrisia 
   (grego hupokrisía, -as, desempenho de um papel) 

  s. f.

   1. Fingimento de bondade de ideias ou de opiniões apreciáveis.
      2. Devoção fingida.


Eu tenho um lema de vida. Quando conheço uma pessoa nova, coloco-a directamente num patamar alto. Isto acontece porque acredito - talvez porque passei a minha infância a ver e ler séries de super heróis - que todas as pessoas são boas e justas.
Em detrimento das suas acções, quer sejam positivas, quer sejam negativas... as pessoas - e respectivamente -ou se mantém nesse patamar, ou vão descendo na minha consideração, até ao nível - e aqui sou tão técnico como as agências de rating - lixo.
Já me deparei com muito lixo na vida... infelizmente ou não, vou aprendendo com isso. Há lixo reciclável e depois há aquele orgânico, que eu designo simplesmente de cocó. O máximo que me pode acontecer neste ponto é pisá-lo por distracção.
Isto tudo para dizer o quê?
Que as pessoas confundem bondade com ingenuidade. Que damos uma mão, e querem logo um braço, uma perna, e um rim!
Felizmente eu acredito no Karma, que o mundo é um espelho, e na lei da acção-reacção (http://pt.wikipedia.org/wiki/Carma). E que portanto praticando o BEM, teremos sempre uma possibilidade de receber BEM... já praticando o MAL, essa possibilidade é anulada à partida.

"Não há almofada mais fofa do que uma consciência tranquila".
Sejam felizes

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Regresso (c/ novidades)

Prezados leitores,
Porventura todos vocês - amigos, conhecidos, pessoas com muito tempo livre, e/ou que gostam de desperdiçar tempo a ler as crónicas satírico-qualquercoisa que deposito aqui no blog - se devem estar a perguntar o porquê da indiferença com que vos tenho tratado nos últimos meses...
Fui informado de que a taxa de depressões disparou nos últimos tempos, e consequentemente um aumento extraordinário de casos de tristeza aguda  (ok, pode ser por causa da tal "crise", mas deixem-me sonhar).
Antes de mais - e qual marido arrependido após um caso de infidelidade com a empregada de balcão do café do bairro - quero salientar que continuo a gostar de todos vocês como no primeiro dia que as nossas vidas se cruzaram num endereço de uma página web, num qualquer monitor de computador. Contudo, e devido a problemas do foro pessoal, a minha disponibilidade/disposição para a galhofa lírica esteve um pouco desvanecida, como que encoberta por uma nuvem gigante, ou tivesse ido de férias até Miami, tivesse perdido tudo no jogo, e não conseguisse voltar a casa...
A verdade é que - depois de dormir na rua, ter sido obrigada a prostitui-se, ter furtado um veículo automóvel de um magnata do petróleo vestido com roupas do Elvis Presley, e entrado ás escondidas num avião, camuflada numa mala de viagem - ela por fim voltou. E voltou em força... Brevemente as crónicas deste blog, vão passar para formato papel limpa vidros, que é como quem diz jornal.
Antes que tal suceda, e que o constante assédio de fans e da imprensa cor-de-rosa, seja impedimento para me dirigir ás pessoas que desde o princípio estiveram sempre comigo, que partilharam as suas opiniões comigo, que me ajudaram neste processo evolutivo de "quase escritor/cronista", para "quase, quase escritor/cronista" o meu muito obrigado.
Fiquem por aí, porque irei partilhar todos os textos que no futuro, saiam desta mente distorcida e com uma visão própria da realidade (uma espécie de Passos Coelho da escrita, mas em bom!).

Beijos e abraços

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

E depois do adeus?

Bem, tudo na vida tem um prazo de validade, e consequentemente chega ao final. É assim com os iogurtes, com o arroz, com os preservativos (verifiquem sempre a validade sff que o látex perde propriedades e rasga mais facilmente!)...

Este será o último mês em que na minha morada constará a palavra Aveiro (pelo menos por agora).
Os 2 anos e 3 meses passados nesta cidade, cuja Ria rasga ao meio, e em que o mar está à distância perfeita de um namoro à moda antiga... foram dois dos melhores anos da minha vida.
As pessoas fantásticas que conheci, as experiências que vivi, não poderiam ser relatadas num livro, muito menos num post, mas resumidamente posso referir que vivi momentos de paixão, euforia, raiva, solidão, felicidade, amizade, frustração... tive frio, tive calor, comi tripas e ovos moles... enfim, vivi na plenitude dos meus sentidos.
A relação que estabeleci com a cidade foi-se desgastando (sobretudo a nível profissional), e a páginas tantas encontrei-me num cruzamento. Optei por mudar de direcção rumo ao desconhecido, porque o que conheço deste lado é incapaz de me completar.

Foi aqui que descobri a bicicleta, apaixonei-me pela corrida, e dei início à minha vida de atleta amador... Foi daqui que fiz travessias, que saí para maratonas de btt, corridas de atletismo e ultimamente duatlos. O interesse por este meio veio crescendo, e com isso compensando o facto de a nível laboral não me sentir realizado. Era o meu ópio, a minha válvula de escape... Contudo, e quando as relações são baseadas em interesses acabam inevitavelmente por sucumbir, como castelos de cartas à primeira rajada de vento.

Mais do que viver, esta etapa da minha vida serviu para aprender (e não falo só em tratar da roupa)... para me conhecer, crescer, saber o que (não) pretendo fazer.
Parto com muita esperança (e com vontade de parar para reflectir) no futuro.
Não sei se encontrarei o que procuro, mas prefiro morrer na procura, do que nem sequer o tentar.

Até já

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Valentim estavas bem era quietinho!

Pois é, hoje celebra-se o dia dos namorados (vulgo dia de S. Valentim)... a que eu particularmente gosto de chamar terça-feira.
A terça-feira (ou dia dos namorados) de um modo resumido e frio, celebra a morte de um bispo de nome Valentim, que contrariando as ordens da altura para cessar celebrações matrimoniais, andou a unir gente, e uniu-se (ou pretendeu) a si próprio com a filha de um carcereiro antes de falecer por condenação à morte (história aqui).

Vai daí alguém se lembrou "olha que história bonita... vou facturar uns trocos com isto!".
Colocar um bispo decapitado nos postais de namorados não é propriamente uma imagem agradável e sugestiva, e alguém por qualquer motivo trouxe à baila um anjo flácido e com excesso de peso, vestido com uma fralda feita a partir de um guardanapo de mesa, possuidor de um arco e uma flecha designado por Cupido, que é um pândego que gosta de andar por aí a espetar flechas em solteiros, convertendo-os em casais, e posteriormente usufruidores de benefícios no IRS.
Esta personagem da mitologia grega é o filho de Vénus (a deusa do amor), e - supostamente afirma Vénus - Marte, o deus da Guerra (história aqui).

Os postais já estavam, só falta mais qualquer coisita, porque as meninas não se contentam com um par de rabiscos num postal, e votos de amor eterno. Toda a gente sabe que aquilo que as mulheres realmente gostam é de di... flores e chocolates!
Este par flores/chocolates vem sendo utilizado desde os mais remotos tempos, e nas diversas situações em que o homem tinha a corda no pescoço (embora ultimamente tenha caído algo em desuso). Agora expliquem - já que isto me ultrapassa - porque raio celebramos a morte de um mártir, oferecendo ás "nossas" amadas chocolates e flores?!

Adiante, uma série de novas possibilidades se abriram neste dia, e dos chocolates passou-se para o jantar fora, o jantar à luz das velas (que é um retrocesso civilizacional, e uma falta de respeito por Edison), idas ao cinema, relógios, jóias, quartos de hotel... e por aí fora...

De qualquer das formas, e apesar de neste momento estar sozinho em casa a encher a minha boneca insuflável, através de ar expirado dos meus pulmões... A todos os enamorados, um feliz dia. Sejam felizes :)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A piada do selim

Quando em conversa surge o facto de praticar ciclismo de montanha, e por consequência as inúmeras horas que passo em cima da bicicleta, constantemente sou confrontado com questões (ou mesmo piadas) do selim...
Sorrio geralmente, mesmo que já tenha ouvido a mesma piada dezenas de vezes.
No intuito de fazer serviço público, e para aliviar o fardo da ignorância que carregam, seguem umas notas:

O selim magoa o rabo?
Sim!
É um facto. É talvez o que mais custa no início - isso e encarar subidas longas - e leva tempo até que o corpo de habitue. Mas depois de tantas horas, isso passa a ser cada menos problemático, até que se torna normal. E não, não gostamos de sentir dores no rabo, por isso há cada vez melhores calções, selins mais anatómicos, cremes específicos... E sim, o selim faz jeito para suportar o peso do corpo, e não prescindimos dele.

O porquê da lycra?
Conforto!
Quando comecei a pedalar, só usava calção largo e t-hirt... Depois calção almofadado pelos motivos que expliquei acima. Entretanto o algodão deixa de ser uma boa escolha quando pedalas a sério, pois pedalar a sério faz com que transpires (e muito), e descer uma encosta a 50kms/hora com uma t-shirt de algodão faz com que apanhes um frio do... E quando está calor a tua pele não respira, e não é nada cool andar com uma t-shirt a pingar, e com manchas.
O calção de lycra surge como consequência de tudo referido até agora. Para ir à praia, para ir para o trabalho, eu não vou de lycra. Mas para pedalar 50, 60, 70, ... 100 kms, e terminar a volta sem assaduras, e ter de parar para puxar o calção para cima, faz diferença.

Chamas algum nome à tua bicicleta?
Não!
O fabricante já tratou disso, e até lhe colou autocolantes. Gosto da minha bike, mas sobretudo de desfrutar dela. Não evito descer um vão de escadas para não "entortar" as rodas... meto-a nos trilhos mais sinuosos, e de quando em vez na lama. Sei que a lama não lhe faz bem, mas a mim faz!
É um meio para atingir um fim. Eu vejo-a como uma lupa que amplia a minha liberdade... não consigo correr 6h seguidas (pelo menos para já), mas consigo pedalar 6h, curtir kms de paisagens, ver inúmeras coisas num espaço de tempo mais reduzido, ou simplesmente colocar o meu coração a bater forte durante muito tempo seguido.

Namorada?!
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É uma bicicleta pá!
É constituída por uma liga metálica, e uma série de componentes mecânicos. Não sei o que vocês fazem com os vossos(as) namorados(as), mas alguma coisa anda a falhar aí. Eu não falo com a minha bicicleta, não durmo com ela, não a levo ao cinema, nem a abraço quando chego a casa... Não é a bicicleta, é o desporto!
Além disso se eu quisesse companhia e retribuição, arranjava um cão.

O problema é que:
Quando somos crianças adoramos a bicicleta...
Fechem os olhos, lembrem-se da sensação de "voar", de "planar" junto ao solo, sentir o vento na cara, desfrutar de uma enorme sensação de liberdade... Lembram-se?!
Mas depois crescemos, e nem todos temos o dom de ir em busca das sensações que nos põem um sorriso na boca, porque somos corrompidos pelo meio... porque para fazer desporto, é muito mais socialmente interessante sairmos de casa no nosso BMW, e irmos até um court de ténis bater umas bolas, ou fecharmos-nos num ginásio a olhar para o espelho (apesar de ser melhor do que nada)!
Seja como desporto, como meio de transporte, como forma de diversão... a bicicleta é um instrumento fantástico.

O verdadeiro atleta:
No ciclismo não podes fazer sinal para o banco quando estás cansado, não podes parar e caminhar... não podes desistir (pelo menos até conseguires voltar a casa).
Muitas vezes quando tens problemas, nem podes pedir ajuda, porque estás no meio do mato... provavelmente num local inacessível a veículos motorizados.
Para teres aproveitamento nos treinos/provas tens de dormir bem, comer bem, e para isso "adaptar" a tua vida social. Há outras formas de viver o desporto, mas para mim há muito que o ciclismo deixou de ser apenas um desporto... é uma forma de vida.
Enquanto em muitos desportos é preciso ter uma bola, no ciclismo é preciso ter duas!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Just The Way You Are

Sabem aqueles hits musicais, aquelas canções que nos perseguem no auto-rádio, e que por mais que a gente mude de estação, eles acabam por aparecer na nossa frequência?
Uma dessas músicas da moda é este "Just the way you are" de Bruno Mars (vídeo abaixo).



Nesta composição musical, o sujeito poético - apaixonado cegamente pela sua cara metade - tece os mais rasgados elogios à mulher amada, salienta desde o fio do cabelo, à unha do dedo do pé.
O som fica no ouvido é verdade, o rapaz é afinadinho, a batida pop foi feita para ser radio friendly, e tudo parece bater certo, até ao momento em que um gajo qualquer - possuidor de um blog onde escreve um par de tretas - resolve ouvir atentamente a letra.

Ora bem, a jogada é boa, começa com um par de referências a aspectos físicos da sua companheira. Que ela é linda, e tal... o que de facto, quando dito publicamente tem um impacto forte, e o pode fazer ganhar pontos, nesta batalha diária que é o amor...
Contudo temos aqui um ponto sensível, e este ocorre no momento em que ela lhe formula a pergunta:

- "Pareço-te bem?"

Ao que ele responde:

- "Blá, blá, blá... és fantástica do jeito que és..."

Errado!
Não é que tenha grande experiência no assunto, mas quando uma mulher nos faz uma pergunta do género, muito provavelmente passou horas a arranjar-se, ou mudou o corte de cabelo, ou fez a dieta do courgette e perdeu 2kg, ou comprou roupa nova, ou - e esta é a hipótese mais forte - todas as anteriores...
Se depois tu lhe respondes com um "tu és fantástica do jeito que és", muito provavelmente estás tramado! meteste o pé na poça! deste um tiro no pé! (e poderia estar aqui a enumerar metáforas, mas tenho de ir lavar a louça do jantar). É verdade que se não o fizeres também... mas isto tem a ver com a complexidade do mundo feminino, o que neste momento não será alvo de reflexão.
Responder a uma mulher "tu já és fantástica do jeito que és", é como que um insulto, que deita por terra tanto esforço, tanta dedicação, tantas horas no provatório da Zara, no salão de cabeleireiro, e semanas a alimentar-se única e exclusivamente de um legume, que está ali entre o pepino, e o melão, apresentado uma consistência aproximada a uma esponja molhada...

Depois ainda se queixa:
- "Quando a elogio, ela não acredita em mim..."

Pudera!
Pelo menos demora mais tempo... Não a olhes apenas nos olhos, faz um "check-up" rápido, e - agora se são do sexo feminino já podem fechar a página. Obrigado pela visita, voltem sempre... beijo :)
Se são do sexo masculino vão buscar o bloco de apontamentos sff - profiram umas das seguintes frases, que aprendi em filmes americanos:

- Estás mais magra?
- Esses sapatos ficam-te mesmo bem (neste ponto verifiquem se elas estão efectivamente calçadas, e não em chinelos/pantufas...)
- Mudaste alguma coisa no cabelo?
- Essas calças assentam-te mesmo bem (se elas estiverem mesmo de calças)

Ou (e isto no caso de irem sair juntos, exceptuando talvez se for para ir ter com a mãe dela),

- Bem, se fico muito tempo a olhar para ti, vou perder a vontade de sair de casa.

E pronto era só isto...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Medicina no Trabalho

Pertencer a esta elite do mundo laboral - a informática - por vezes obriga-nos a ser sujeitos a consultas de rotina, que avaliam as capacidades para efetuar as tarefas rotineiras deste trabalho. Nessas consultas, o nosso corpo é - superficialmente - escrutinado, sujeito a testes médicos, que corroboram (ou não), a nossa saúde para tal. É um mundo perigoso e altamente competitivo, onde não há margem para falhas. Um pequeno deslize e kabum... provavelmente o equilíbrio do Universo será afetado de forma permanente!

Eram 11h30 da manhã quando me dirigi a uma rua (que não vou dizer o nome), para encontrar uma clínica (que não vou referir qual), onde fui atendido por uma recepcionista (que sinceramente não sei como se chamava).
Após a normal espera a que somos sujeitos - isto mesmo que sejamos as únicas pessoas na sala para ser atendidas - uma simpática enfermeira encaminhou-me para uma sala.
Após me ter feito olhar por uma geringonça, que alternava entre números, letras, cores, e de me meter uns auscultadores com um comando em cada mão - e que certamente tivesse eu 4 anos iria achar o máximo - veio a interjeição: "dispa-se e deite-se na marquesa...". Foi nesse momento que eu pensei: "Isso é que é falar!" Até que me besuntou com um gel pegajoso, e espetou umas coisas frias no peito, acabando com todo o conforto do quentinho acumulado dentro da minha camisola de lã.
Enquanto estava ali imóvel e deitado, a enfermeira proferiu a frase "pratica desporto?!". Respondi um confiante "Sim", enquanto pensava que o esforço e dedicação ao desporto surtiram efeitos estéticos que deixavam o meu corpo desejável à promiscuidade feminina.
"Tem batimentos cardíacos muito baixinhos, isso é muito bom!!". "Ah pois... isso", E pumba a desilusão atingiu-me como um soco seco vindo do nada, e eu fiquei ali a saborear aquela trago a fel na boca. Eu que até gosto de enfermeiras desde a minha puberdade (especialmente após ter tido acesso à Internet)... adiante!!!".

Da enfermeira passei para o médico, que ao entrar no consultório proferiu a frase "dispa-se e deite-se na marquesa..."
Desta vez pensei:
"Mau!!! mas isto é uma avaliação para striper??? Eu sou informático pá!!! Carrego em teclas e arrasto um rato!!! Vestido!!!"

Lá acedi - desde que não seja exame à próstata, por mim está bem - ele auscultou-me, deu-me marteladas nos joelhos, nos braços, espreitou-me os ouvidos, os olhos... verificou a tensão e a pulsação, o peso, a altura, um par de perguntas de hábitos sociais e alimentares... perguntou-me se fumava ou bebia (enquanto no meu pensamento eu revia o episódio com a enfermeira e imaginava uma garrafa de bagaço a escorregar pelas goelas...), e mandou-me para casa com a frase:

"Bem, não há nada a dizer... continue assim. Um bom dia!"

Lá tive de trabalhar o resto da segunda-feira :/